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Crianças

08/10/2011 - 07h00 / Atualizada 11/08/2012 - 16h56

Quando eu era criança: Ziraldo

Da Redação

  • Reprodução/Arquivo pessoal/Ana Colla

    Desde pequeno, o criador do "Menino Maluquinho" gostava de ler! Na foto, ele é o garoto que segura um livro

Ziraldo Alves Pinto, ou simplesmente Ziraldo, como é conhecido por todos, tem 78 anos, é cartunista, chargista, escritor infantil e mais um monte de outras coisas. Há mais de 30 anos ele criou um personagem que até hoje faz o maior sucesso entre a criançada: o Menino Maluquinho.

Para ele, ser criança é: “brincar muito, aventurar-se, descobrir, viver essa fase maravilhosa de nossas vidas”.

BRINCADEIRA PREFERIDA
Desde que nasci, isto é, desde quando tenho consciência de minha existência, desenhava em todos os lugares, na calçada, nas paredes, na sala de aula. Posso afirmar que a minha infância foi muito boa. Rodei pião, joguei bola de gude. Achei ótimo brincar de cabra-cega, pular carniça (brincadeira também chamada de “pula-sela”), soltar pipa. Tudo por minha conta. Foi um barato! Fui muito feliz, se tivesse sofrido um pouquinho mais, tava aí escrevendo romances poderosos.

DIA DA CRIANÇA ESPECIAL
No meu tempo de criança não existiam essas comemorações. Todo dia era o “Dia da Criança”.

UMA GRANDE TRAVESSURA
Não me contentava só com as brincadeiras no quintal da minha casa. Aventurava-me, também, pela rua. Gostava de equilibrar-me nos trilhos da ferrovia, percorrendo bons pedaços a contar os dormentes, que são aqueles pedaços de madeira forte que sustentam os trilhos.

Uma vez, meu amigo Alencar, que era um menino mau, aprontou uma verdadeira façanha. Ele me convidou para passear num trole e eu aceitei. Bem em frente à minha casa. O trole é um carrinho que, perto dos vagões do trem, parece de brinquedo. Ele serve para levar os maquinistas de um lado para o outro do pátio de manobras.

Bem, lá fomos nós. Alencar manobrava, dando impulso com a vara. Eu ia na frente. O carrinho corria pelos trilhos. Nossos amigos assistiam e vibravam. Mas, na travessia da linha principal, avistamos um trem que avançava em nossa direção. Ele estava bem perto, vindo, vindo... aí tive uma idéia. Assobiei forte imitando o apito do trem. Quando o trem já estava bem devagar, Alencar gritou para o maquinista parar. Nós atravessamos e então, viramos os heróis da turma.

RECADO PARA A CRIANÇADA
Os tempos mudaram e cada geração há de criar sua própria forma de felicidade que, no futuro, vai achar melhor do que a que as gerações de seus filhos estarão vivendo. É humano. Achei ótimo brincar de cabra-cega, pular carniça, soltar pipa, tudo por minha conta. Foi um barato! Os meninos de hoje vão ter saudade dos primeiros jogos eletrônicos, do videogame, da descoberta da vida nos shoppings, da facilidade de viajar pelo mundo, dos programas da Discovery...

Cada época com seus usos, cada roca com seus fusos. Bons foram os tempos do meu avô, quando um menino sabia o que eram fusos. Só que não sabia o que era chip... O mundo mudou, mas os jovens são os mesmos. É só dar uma boa causa, que eles vão fundo. O que está faltando aí é uma boa causa, está todo mundo entorpecido pelo consumismo. 

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